As postagens desse blog são em caráter informal e de apego ao saber popular, com seu entusiasmo, exageros, ingenuidade, acertos ou erros.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Programa Globo Universidade mostrou educação indígena e aldeia no Oiapoque

Imagem do vídeo
O Programa Globo Universidade, neste ano, exibiu uma reportagem sobre a educação indígena no estado. A repórter Lizandra Trindade foi à Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) e à aldeias indígenas no Oiapoque para mostrar o Curso de Licenciatura Plena em Educação Escolar Indígena. A meta é a formação de professores nativos. O Programa mostrou detalhes do projeto, como a produção de conteúdo didático e o aprendizado de línguas nativas.


Globo Universidade (26/03/2011)
O Vídeo pode ser visto na Biblioteca SEMA em Macapá.

 Foram apresentados também os quadros:

- Mérito Acadêmico: entrevista com o professor José Alberto Tostes (da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Unifap). Ele estuda o desenvolvimento das cidades e o planejamento urbano. 
Veja nos alguns artigos publicados pelo professor dentro da temática e o respectivo blog:  
Artigo - Planejamento e Desenvolvimento Urbano da Cidade de Oiapoque (Veja)  
Artigo - O Planejamento Urbano na Amazônia (Veja)  
Artigo - Ocupação Urbana da Cidade de Macapá (Veja)
Blogspot - josealbertostes.blogspot.com


    - Fora de Série: mostra o trabalho do aluno Benedito Medeiros (Acadêmico de Enfermagem - UNIFAP), que investiga o poder curativo da castanha do Brasil (busca a confirmação da atividade anti-inflamatória do óleo extraído e usado na medicina popular).  

    - Eu Amo Meu Trabalho: acompanha um dia do advogado Samuel Elanio, que atua no Oiapoque como delegado federal na fronteira entre Brasil e a Guiana Francesa. Relata que os principais crimes encontrados na região, estão relacionados ao tráfico de armas e de drogas Fonte da postagem: globo.com

    quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

    Afuá, Festival de Emoção: A Batalha entre dois Camarões (Francisco Soares) - Publicação

    Tratando ainda de Afuá, mais um pouco do município paraense nas páginas desta obra. O lugar, pela proximidade, tem laços bem estreitos com o Amapá. Para chegar lá saindo de Macapá, atravessamos a baía macapaense (ou Canal do Norte) até chegar na Ilha dos Porcos onde, no melhor dos sentidos, entramos no Furo dos Porcos... rumando à famigerada baía do Vieira. Vencendo a dita, entramos no rio Jurupari (um canal que se liga ao rio Afuá) e pronto, chegamos na cidade. Você sabe a origem do nome do lugar?

    Pois é bem diferente e descobri na leitura desta publicação. Diz o autor que vem do barulho produzido pelo espiráculo dos botos. Algo como: Fuáááá!!! Outras coisas interessantes são também descritas. O livro é de leitura fluente, informativa e atraente.  
    Cartaz de 2011 (XXIX Edição)
    O foco da obra é o Festival do Camarão, tradicionalmente realizado no mês de julho. Em 2012 será a 30ª edição. O evento é caracterizado por apresentações musicais, exposição de artesanatos, venda de comidas típicas (tem camarão preparado de tudo quanto é tipo), escolha da miss e pela "biciata" (uma carreata de bicicletas, o meio de transporte típico da cidade se não quizer andar a pé... olha que são longos trechos de passarela debaixo de um senhor sol escaldante). O ponto principal está nas apresentações das agremiações do Camarão Convencido (verde) e Camarão Pavulagem (vermelho).

    Esta publicação, de Francisco Soares (poeta e escritor maranhense, autor de várias obras que destacam a regionalidade amazônida), apresenta em forma de Literatura de Cordel um pouco da história deste município paraense e de seu regionalmente conhecido festival.

     
     Pode ser visto na Biblioteca da SEMA em Macapá.

    segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

    Evangelização da MEAP no Afuá (10/12/2011) - VÍDEO

    Um pequeno vídeo apresentando a MEAP (Missão Evangélica de Assistência aos Pescadores) e o seu trabalho ao longo da costa brasileira.


    “Fazer Missões e estar na dependência do poder de Deus”.
    
    “Aquele que não ama missões, é possível que nunca
     tenha encontrado Cristo”
    ( Frase dita por um Africano )
    Vídeo do culto da MEAP no Afuá - em 10/12/11.
    Está disponível na Biblioteca SEMA-AP
    " ... fazei tudo para glória de Deus. "
    (I Coríntios 10:31)
    
    Imagem: malucoporjesus.wordpress.com

    Informativo da MEAP / AP (Outubro - 2011)

    segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

    Evangelização da MEAP no Afuá (10/12/2011)

    O Afuá é um município ribeirinho do estado do Pará, com população estimada em  40.000 habitantes (IBGE 2010). Não sem razão, a sede já foi chamada de "Veneza Marajoara", pela presença dos canais, passarelas e palafitas comuns na cidade, situada em uma área típica de várzea e em um ponto bem localizado no estuário amazônico.  
    Google Maps - 2011
    O desenvolvimento local gira em torno da  pesca, da extração de madeira e do açaí. Outras possibilidades são também oferecidas pelo turismo.
    Afuá é muito conhecida pelas festividades (a principal é a Festa do Camarão, no mês de julho) e também pelas bicicletas. Por lá, elas são o principal meio de transporte, nas passarelas de madeira...
    ... e de concreto também. A cidade está em crescimento constante e já não é tão pequena quanto possas imaginar. Se te cansares... é só pegar um BICI-TÁXI! Ah, cuidado também, que o sol é escaldante e, de repente, pode ser preciso chamar uma BICI-AMBULÂNCIA!
    Olha aí mais uma imagem da cidade! Em epócas de lançante (nas marés altas de Março e Abril) a cidade costuma alagar. Dizem os moradores que as enchentes maiores tem intervalos de cerca de 4 anos e tudo é realmente afetado, como a pista de pouso e campo, avistados na imagem. Ah, uma brincadeira recorrente é que todos do cemitério, "morrem também afogados"!!!
    Fotos diversas da cidade.
    Praça da Bíblia.
    No município encontramos também muitos evangélicos entre os moradores.
    Entre os festejos religiosos, o principal é o da Srª da Conceição, considerada e assumida pela população católica como padroeira do lugar. O ápice da festa em devoção ocorre no dia 08/12, numa mistura de rituais religiosos e profanos. A festa faz parte do calendário municipal e reúne pessoas do lugar e de comunidades distantes.
    Assim é no Afuá...
    "Goteje a minha doutrina como a chuva" 
    (Deuteronômio 32:2)

    Em 10/12/2011 tive oportunidade de acompanhar uma equipe de evangelização da MEAP (Missão Evangélica de Assistência aos Pescadores) no município de Afuá (Pará).
    A MEAP é formada por evangélicos de diferentes denominações, desde 1986 no Brasil, com o objetivo de atender especificamente aos povos ribeirinhos e pescadores, tão isolados e tão pouco evangelizados em todo o litoral brasileiro.
    Folder da MEAP


    "Dêem glória ao SENHOR e anunciem o seu louvor nas ilhas"
    (Isaías 42:12)
    Em toda a bacia amazônica encontramos povos carentes do Evangelho de Cristo.
    "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura."
    (Marcos 16:15)
    No Amapá, a MEAP tem 6 anos e já firmou bases no Bailique e no Afuá que, apesar de estar em localização paraense, mantêm vínculos com os missionários amapaenses, tendo como atual diretor o Pr. Custódio.

    "As obras do centro social da MEAP no Afuá foram implantadas recentemente, neste ano, com objetivo de alcançar as ilhas do arquipélago de Marajó para Cristo. Com grande empenho, profissionais da construção civil e voluntários, já ergueram as salas para atendimento de saúde e educação, a quadra multifuncional, banheiros e cozinha." (Informações e fotos da MEAP).
     "Cada coração com Cristo é um missionário
    e cada coração sem Cristo é um campo missionário."
    (Dick Hills)

    A localização no Afuá é nas margens do rio Cajuuna, no Bairro Capim Marim
    "Você pode evangelizar sem amar,
    mas você não pode amar sem evangelizar."
    (Anônimo)

    Foto: MEAP
    Foi uma viagem difícil, fomos e voltamos no mesmo dia, em um barco pequeno da MEAP (o Koinonya I). 
    O que motiva e encoraja jovens e missionários a se lançar por esse mundo, enfrentando desconforto ou perigos, tão somente é o desejo de compartilhar as "Boas Novas" do Evangelho de Cristo.
    "Somente é evangélica a igreja que evangeliza."
    (Anônimo)

    Meu amigo, a vida missionária requer muita visão, fé, amor e disposição para o "ide" de Jesus. A viagem de barco Macapá-Afuá, para quem conhece, sabe que passa por duas baías. É aí que aparecem as dificuldades, principalmente quando se vai em barco pequeno, em dias de rio agitado e com muito vento. Ah.. de madrugada então!! Some-se a isto também essa época de final de ano em uma noite de grande lua cheia. Lembrei muito do  apóstolo Paulo em suas viagens missionárias e de quando naufragou. Mas assim como foi Deus no passado, suas bençãos também se estenderam sobre nós. Enfrentamos essas baías, ida e volta, no mesmo dia e o trajeto foi bem difícil para quem não é acostumado. As ondas eram muito fortes e impactantes no barco, "um verdadeiro dançarino nas águas". Ai de mim... e graças a Deus por sua proteção. A distância Macapá-Afuá está em cerca de 80 km (isso se fosse em linha reta, na rota fluvial fica em torno de 88 km) em um trajeto realizado de 4 a 6 horas, dependendo do barco. Nossa valente embarcação nos deixou na mão por duas vezes na ida. Erámos 15, contando o piloto Armando, os pastores Custódio e Natanael,  a equipe evangelística "Pés Formosos" composta por Jumosan, Délcio e Rivelino, o menino Davi (fotógrafo), Eraldo (voluntário) e os jovens músicos da Banda Nardo. Fui como um simplório e amador camera-man. Algumas pessoas seguiram em apoio em outra embarcação (como  a acadêmica de Enfermagem Omayra, a Drª Cristina, José - instrutor de defesa pessoal - e outros de diferentes congregações). Graças a Deus que nos sustentou nesta empreitada.
    "A grande necessidade da igreja é ter um espírito de evangelização, não um esforço evangelístico temporário"
    (J. Blanchard)
    Imagens da equipe no Koinonya I
    "Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei:
    Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer."
    (Lucas 17:10)
    Nosso objetivo foi a realização de um culto no edifício da MEAP-Afuá. Saímos às 2 da manhã e chegamos, com atraso, no meio da manhã do dia 10/12. O retorno foi no mesmo dia, às 22 h. Fora o trecho difícil das baías, a viagem transcorreu bem. Passamos por algumas comunidades ribeirinhas até a chegada no Afuá.

    "A menos que a Igreja seja mobilizada, o mundo inteiro não poderá ser alcançado. Esta mobilização só verá o resultado do seu esforço tornar-se realidade se efetivamente existir
    uma operação conjunta do Povo de Deus"
    (John Scott)

    Participar de um culto em comunidade ribeirinha foi algo que imaginei a muito tempo. Me perdoem os artistas, mas não poderia deixar de colocar este velho desenho que fiz a 15 anos, era como eu imaginava. O IEB refere-se a Igreja Evangélica Betânia, onde fui membro.

    "Dispõe-te e resplandece, porque vem a tua luz,
    e a glória do SENHOR nasce sobre ti"
    (Isaías 60:1).
     Este é o Koinonya II, na Base MEAP-Afuá.
    "Koinonya" significa "comunhão" em grego.
    Desembarque, a equipe "Pés Formosos" levou o equipamento de som para o culto. Olha a moçada, a seguir, suando no transporte. Tudo para a glorificação e anunciação do Senhor. Na foto: Eraldo, Gregor Samsa, Rivelino e Jumosan.
    Vamos lá rapaziada, pois até os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras de suas mãos (Salmo 19). Vamos montar esse som para estrondar nessas caixas os louvores e anunciação do nome de Cristo. Ora, se o povo não o fizer, as pedras clamarão!!! (Lucas 19:40).
    Esse é o José, realizando um trabalho educativo com as crianças. Foram distribuídas algumas Bíblias. Há uma carência destas e quando é distribuída a garotada disputa para receber um exemplar. Conheci também uma edição do Novo Testamento feita de forma impermeável (ideal para o ribeirinho). Que bom se muitos mais exemplares pudessem ser distribuídos. A MEAP desenvolve também ações na educação e assistência em saúde, vi o trabalho neste sentido sendo realizado - desta feita - pela Dr. Cristina e Omayra... só não registrei em fotos. Graças a Deus por tudo!!! 
    "Não adianta ser famoso e não ser conhecido por Jesus."
    (Anônimo)
     
    Fotos do culto. O local tem energia limitada e a motor - a realização foi entre 17 às 18:30h. Momento de adoração e ministração da Bíblia. Objetivos em toda reunião cristã.
    Ao final o Pr. Custódio distribuiu algumas Bíblias
    entre as crianças e moradores da comunidade.

    Estas são pessoas que apoiam este trabalho.
    “Apoiar um trabalho misssionário é um grande desafio aceito apenas por aqueles que são portadores de uma grande visão”
    (Olinto de Oliveria missionário em Macau/China)
    E assim foi o dia em que acompanhei um culto evangelístico da MEAP no Afuá. Fica o registro de que o trabalho com missões vai além do que descrevi (há missionários por este mundo em situações que nem imaginamos... e até em posições que não gostaríamos de estar), requer oração, disposição e, sobretudo, amor pela obra de Cristo. Toda igreja que se chamar "cristã" deve estar de alguma forma envolvida com a evangelização. Este é seu papel e para isto Deus a capacita. Não é uma vida fácil, mas graças a persistência dos que se entregam a isso, sob as benção divinas, que esta mensagem bíblica tem sido proclamada ao longo dos séculos até nossos dias. Desde quando Jesus andou em pessoa por este mundo. Muitos escândalos surgem para querer calar a igreja, muitos falsos profetas se levantam, muito povo cristão acaba dando mal testemunho, muitas barreiras se levantam para menosprezar esta palavra, muita cegueira é perpetuada e muita mentira é introduzida para desfigurar esta mensagem. Mas, até a consumação dos séculos, enquanto existir um ou dois no nome de Cristo, esta palavra continuará sendo ministrada... pois ali estará Deus e ali estará sua revelação à humanidade.

    Fontes de consulta para a postagem:
    - www.meap.org.br

    sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

    Escravos em Macapá: africanos redesenhando a Vila de São José, 1840-1856 (Verônica Xavier Luna)

    Aconteceu no dia 08/12/2011 o lançamento de mais um livro em Macapá: "Escravos em Macapá: africanos redesenhando a Vila de São José, 1840-1856" da professora Verônica Xavier Luna.
    "Este trabalho tem como propósito pensar a dinâmica histórica da Vila de São José de Macapá no sentido de entender em que circunstâncias os trabalhadores africanos chegaram a essa localidade e como passaram a compor o espaço social da Vila de São José de Macapá. Utilizando-se de um recorte temporal delimitado, 1840 a 1856, é justificado pela autora em razão da ocupação dessa região por trabalhadores africanos fugitivos de diversas localidades do Grão-Pará, do Maranhão e da Guiana Francesa para a região do Amapá, na qual foi erigida a Vila de Macapá. Fugidos dos ditames do poder escravocrata, da Cabanagem e da reescravização imposta aos cativos participantes desta manifestação popular após o período de restauração política do poder governamental das elites da Província do Pará. 
    A obra permitirá aos leitores uma incursão à cultura afrodescendente na cidade de Macapá.
    Demonstra a necessidade de conhecer o passado destes sujeitos sociais a partir da realidade espacial da cidade, que além de apresentar uma população descendente de africanos, possui emblemas que valorizam suas práticas deixadas ao longo do tempo em cada canto do Estado do Amapá. Partindo desse reconhecimento que a história da etnia africana deixou marcada pela sua vivência, a autora registra como os trabalhadores africanos produziram esse espaço urbano da Vila de Macapá e adquiriram reconhecimento, se fazendo presente no seu porvir. E assim, Verônica Luna, vai reconstruindo com uma visão crítica a Vila de Macapá a partir dos sentidos atribuídos a ela pelos trabalhadores africanos. "
    (Vanda Soares - prefácio da obra)
    Verônica Xavier Luna cursou Licenciatura Plena em História na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). É especialista em História do Nordeste pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Concluiu Mestrado em História do Brasil pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). Criou o Núcleo de Estudos e Pesquisas Arqueológicas do Amapá (CEPAP/UNIFAP), como também o Núcleo de Memória Histórica do Amapá (NUMEHAP/UNIFAP). Atualmente leciona as disciplinas: História da América Latina, Teoria da História e História da Amazônia, na UNIFAP.

     O evento ocorreu no Centro Franco-Amapaense e contou com a presença de professores, acadêmicos e estudiosos da área.
    Professora Cecília Bastos, o Reitor José Carlos Tavares e a autora Verônica Luna, na apresentação da obra.
    Ficha do livro
    Título: Escravos em Macapá: africanos redesenhando a Vila de São José, 1840-1856
    Autora: Verônica Xavier Luna
    Editora: Sal da Terra
    Ano: 2011
    Páginas: 200 
    ISBN: 978-85-8043-113-1
    Tema: Amapá, História, Escravidão, Estudo urbano, Século XIX
    SUMÁRIO

    REGIÃO DO MACAPÁ: DESEJOS INCONTIDOS
    - A Vila de São José de Macapá: Seu Existir
    - Corpos Africanos são evocados a ser "Negros Escravos"
    - As multiplicidades de papéis sociais

    MINHA VIDA, MEUS CORPOS, MEUS CAMINHOS TORTOS
    - Outros corpos escravos no Macapá
    - Vilas no Amapá: mais corpos escravos

    ENTRE O PORTEAU E O VOLANTE: AFRICANOS REDESENHANDO A VILA S. J. DE MACAPÁ
    - As sociabilidades africanas na Festa do Rosário
    - As ocasiões para ocupar a Vila de Macapá

    Finalizando como papagaio de pirata.

    Nota de 13/01/2016 - Registro no SKOOB

    A cultura negra é significativamente presente no Amapá nas mais representativas manifestações (como o Marabaixo, Batuque e Festa de São Tiago) e historicamente foi fundamental para o estabelecimento da terra e identidade amapaense.
    O livro traz uma abordagem histórica limitada pela autora entre os anos de 1840 a 1856, em exemplo dessa influência e representatividade. O período foi marcado por intensa migração de fugitivos da escravatura e desertores do recente movimento da Cabanagem no Grão-Pará (1835-1840); pelo estabelecimento de Macapá como cidade (em 1856) e pela abolição da escravatura na Guiana Francesa (em 1848). Condicionantes de muitas migrações para as terras do Contestado Franco-Brasileiro.
    Outros aspectos determinantes na presença e influência afro foram também apresentados, como fatores influenciáveis ao recorte temporal apresentado na obra:
    - A formação de Macapá como vila (1752): fato relevante por ser esta a quarta vila fundada no Grão-Pará (que tinha apenas Belém como cidade e as vilas de Cametá, Gurupá e Vigia).
    - A construção da Fortaleza de São José de Macapá (1764-1782): realizou-se de maneira faraônica no contexto da vila, ocorrendo uma política arbitrária que requereu e consumiu trabalhadores e suprimentos de várias regiões. Mais de dois mil escravos foram utilizados, sendo o período marcado também por muitas fugas e estabelecimento de mocambos principalmente na região do Araguari.
    - Formação da vila de Santana (1753): grande relevância no suprimento de Macapá.
    - Formação da vila de Mazagão (1770): marco na política de povoamento das terras do Norte estabelecida pelo Marquês de Pombal, com parte da população vinda da Mazagão africana e um número grande de afrodescendentes, que assumiram a identidade da região posteriormente.
    Nesse contexto, vemos histórias da população negra se estabelecendo, citando-se os jogos de interesses diversos entre mocambos, capitães do mato e autoridades governamentais. 
    A obra que deu origem a esse livro tem um curioso subtítulo "Entre o porteau e o volante", que faz referência ao movimento de equilíbrio de malabarista. Algo presente na história da população afrodescendente  em seu estabelecimento no Amapá.
    É um livro revelador e valoroso de História do Amapá, resultante da pesquisa de mestrado da professora Verônica Xavier Luna, apresentada na UFPI em 2009.
     
    Mais uma publicação importante sobre a História do Amapá. Gostei bastante e pode ser consultada nas principais bibliotecas em Macapá, como a Biblioteca Ambiental da SEMA e Biblioteca Pública Elcy Lacerda.