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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A Igreja dos Pobres: Resistências Eclesiais no Norte do Brasil, 1966-1983 (Walbi Silva Pimentel)

A Igreja dos Pobres - Resistências Eclesiais no Norte do Brasil (1966-1983) trata sobre o desenvolvimento das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) no Amapá, num contexto histórico de abertura da igreja aos leigos e aos pobres no período marcado pelo autoritarismo político da ditadura militar, onde as CEBs se tornaram frente de luta por direitos básicos num vasto território de presença precária do Estado.   
O autor, Walbi Silva Pimentel, faz  um apanhado histórico acerca da presença da Igreja Católica no Brasil, do período colonial até o século XX, procurando perceber as relações existentes entre a Instituição e o Estado. Analisando mais aprofundadamente essas relações na Amazônia, buscou-se perceber o caminhar histórico da Igreja que no Amapá, assim como em outras regiões do Brasil, não só modificou os hábitos religiosos das populações locais como também acabou por sofrer modificações devido as interações. (SINOPSE DESCRITA NO LIVRO)
INFORMAÇÕES DO LIVRO
Título: A Igreja dos Pobres: Resistências Eclesiais no Norte do Brasil (1966-1983)
Autor: Walbi Silva Pimentel  
Editora: Prismas  
Páginas: 190  
Ano: 2016
A obra traça um perfil do catolicismo no Amapá a partir do envolvimento com as questões sociais no período da ditadura, onde o contexto da igreja teve transformações progressistas que mudaram sua ação na interação com as comunidades. O autor, Walbi Silva Pimentel, historiador amapaense e militante nas CEBs, dá destaque à esse período de interação transformadora na disposição da igreja, mas iniciou sua pesquisa com a percepção histórica do catolicismo desde o colonialismo.
No primeiro momento de análise, vemos a igreja como instrumento do estado, que a patrocinava estendendo a conquista de fiéis para formação de súditos também, em locais ermos e sob influências contrárias. Essa disposição vinha de muito tempo e como exemplo foram citados doutrinamentos religiosos no contexto medieval, que buscavam o desenlace da influência árabe na Península Ibérica; como não poderia faltar, o autor também citou ordens religiosas apoiadas pela coroa na colonização e catequese do Novo Mundo, destacando-se os jesuítas, carmelitas, mercedários e franciscanos.

Mapa: Presença das ordens religiosas na Amazônia colonial (pág. 81 do livro)
Aspecto em especial nesse contexto foi a interferência direta do estado na hierarquia e caracterização da igreja, que a tornava mais política do que espiritual. Um evento em especial desse embate no Brasil aconteceu no século XVIII, quando os jesuítas foram expulsos em razão do desenvolvimento de propósitos diferenciados dos interesses governamentais, como a oposição à mão de obra indígena e ações com hierarquia própria. Esse momento fragilizou o catolicismo e assim ocorreu adesão e introdução de muitos ritos e tradições do misticismo popular, outrora repelidos, que sem o direcionamento missionário foram incorporados indiscriminadamente.
A aproximação entre a igreja e governo se estreitou no período imperial, quando o catolicismo foi oficializado como religião do país na constituição de 1824, perdurando até a revogação na constituição republicana de 1891, que tornou o país laico. Tem uma colocação do autor que não concordo, de que existia uma coexistência pacífica com outros credos, citando-se o texto integral da constituição (Art. 5) de que eram permitidos no contexto domiciliar. Existe muita diferença entre teoria e prática. Sei muito bem que o período entre as constituições criou uma mentalidade de visão subversiva à outras manifestações religiosas, que se estendeu ainda em muitas décadas no século XX estimulando sérios embates religiosos, como o que ocorreu em Macapá com a chegada dos evangélicos em 1916 - seja pela tradição familiar ou incentivo de padres baseando-se nessa mentalidade ultrapassada.
A aproximação com o estado, chamado de padroado régio, custou  foi a jurisdição prática na igreja, que era diretamente influenciada pelo governo, deixando-a à mercê de politicagem e mistura com paganismo, citando-se a introdução de membros da maçonaria.
No início do século XX há referência à ação católica com um dinamismo que na prática a colocava desempenhando papel governamental em locais altamente carentes, por sua mobilização contemplando a saúde, a educação e a valorização das comunidades. O autor cita aproximação governamental, mas a igreja tinha outra caracterização, que se reformulou pelas determinações progressistas do Concílio do Vaticano II e, mais adiante, por missionários influenciados pela Teologia da Libertação (onde o evangelho era direcionado à libertação do homem da injustiça social, com desenvolvimento de ações nesse sentido) ou por movimentos de combate à opressão e injustiça. Esse é o contexto privilegiado no livro, ocorrido em paralelo ao governo da ditadura militar, onde as mazelas sociais instigaram o catolicismo ao desempenho de lutas principalmente no contexto social, resultando em movimentos sindicais, associação de moradores, cursos profissionalizantes e maior participação política em prol dessas questões.


Walbi Silva Pimentel - Especialista em História e Historiografia da Amazônia pela Universidade Federal do Amapá e graduado em História pela mesma instituição. Há três anos trabalha na rede estadual de ensino no Amapá, ministrando aulas de História às séries do Ensino Médio.
Desde sua juventude é militante das Comunidades Eclesiais de base (CEBs), Pastoral da Juventude e Pastoral Carcerária, de onde tirou sua inspiração para este livro (BIOGRAFIA NO LIVRO)


Outro momento mostra a Amazônia e o Amapá nesse contexto, destacando o padre Júlio Maria Lombard, nos anos de 1913 à 1923 (quando trabalhou em Macapá) e a chegada dos missionários estrangeiros do PIME a partir de 1948.
Sobre o padre vemos aquela questão do catolicismo voltado às carências sociais, em seu importante trabalho na educação, saúde e cultura numa região sem infraestrutura. Além dessas ações, a igreja que age no papel governamental por sua representatividade prática é exemplificada também no autoritarismo que o mesmo padre desenvolveu, como se fosse a autoridade maior, em embates com o movimento do Marabaixo (quase causando um tiroteio no domicílio da igreja) e contra o primeiro evangélico na cidade, a quem mandou prender arbitrariamente, destruindo o material que trazia (Bíblias e literatura evangelística) e semeando mentalidade perseguidora. Fato ocorrido em 1916 (que o autor em um pequeno lapso referenciou em 1913).
A chegada dos missionários do PIME (Pontifício Instituto das Missões Exteriores), outro momento de destaque no livro na percepção da ação católica, mostra padres que eram mais envolvidos com questões sociais e movimentos de esquerda, vindo também em resposta à carência de sacerdotes católicos. O autor cita a chegada de 53 entre os anos de 1948 à 1972 (exemplificando, Simão Corridori, Ângelo Negri, Pedro Locati e Antonio Cocco); que houve aceitação grande, abertura de igrejas na capital e interior, e que o PIME, não encontrando campos tão favoráveis em outros locais, teria solicitado a vinda à nosso país, onde se ajustou bem na carência que existia no catolicismo, desenvolvendo trabalhos em três cidades onde se instalaram: São Paulo, Manaus e Macapá.

Entre as comunidades e paróquias fundadas pelo PIME:
- Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (Santana, 1954)
- Nossa Senhora da Conceição (Macapá, 1959)
- Nossa Senhora das Graças (Oiapoque, 1959)
- Nossa Senhora de Fátima (Macapá, 1964)
- Nossa Senhora dos Navegantes (Região das Ilhas, 1974)
- Sagrado Coração de Jesus (Macapá, 1978) 
- Cristo Libertador (Pacuí, 1982)
Bairro do Buritizal em 1976 (Acervo pessoal do Pe. Luís Carlini - Pág. 127 do livro)
Ilustração dos cenários de desenvolvimento das CEBs
O capítulo final é dedicado à ação comunitária, envolvida com mutirões, assistencialismo, sindicatos, associação de moradores e envolvimento político, que aproximou o catolicismo principalmente das populações mais carentes. Razão do título do livro e do enfoque em especial no período da ditadura. Segundo o texto, havia o anseio, a cobrança e a expectativa da ação católica nesse sentido. Fatos que reorganizaram a igreja em seu direcionamento.
Foi o que entendi em uma interessante leitura.

(REGISTRO NO SKOOB, em 12/08/2017)


Pode ser adquirido nas livrarias em Macapá 
ou consultado nas Bibliotecas.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Assembleia de Deus: Cem anos de transformações espirituais e sociais no Amapá (Francisco Sena - ORG, 2017)

Obra preciosa, disponibilizando referencial histórico pouco difundido e, em termos gerais, desconhecido pelo povo amapaense. A abordagem apresenta pesquisa sobre o Centenário da Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Amapá, tema tratado também em valorosas publicações recém lançadas, mas com diferencial de resgate histórico da trajetória do catolicismo e de outras denominações evangélicas no estado após o pioneirismo assembleiano.
Os autores, pesquisadores vinculados à FATECH - Faculdade de Teologia e Ciências Humanas, traçaram um panorama que permite a percepção da igreja em sua ação na Amazônia e Amapá, ressaltando fases, principais pontos relacionados a elas e atual situação do "assembleianismo" amapaense. Aspectos que se organizam em quatro artigos de maneira sucinta, tendo riqueza e ineditismo de informações, principalmente para a classe estudantil.

Título: Assembleia de Deus:
           Cem anos de transformações espirituais e sociais no Amapá
Autores: Francisco Maurício de Sena Júnior (ORG)
               Ezer Belo das Chagas
               Edna Pasini das Chagas
               Falbert Maurício de Sena
               Fredson Maurício de Sena
               Flábio Sena
Editora: Tarso
Páginas: 59
Ano: 2017

Breve História da Igreja Católica no Amapá é o primeiro momento e o que chamou minha atenção foram as considerações sobre a ação missionária na Amazônia, marcada pela expulsão dos jesuítas na metade do século XVIII. Nas considerações essa ação deixou as missões suscetíveis à incorporação de tradições, ritos e festejos até então não oficializados no catolicismo, mas aceitáveis na adesão popular (o livro não cita, mas me veio como exemplo a visão sobre a Festa em Mazagão ou o reconhecimento de santos vindos do apelo popular, que em determinado momento ultrapassaram uma hierarquia administrativa e se estabeleceram).
Outros aspectos importantes foram: a oficialização do catolicismo como religião do país entre as constituições de 1824 e 1891 (criando raízes para conflitos que se estabeleceram na visão sobre outros credos, pela mentalidade sobre o permissivo e subversivo, transmitida de forma tradicional entre as gerações); o engajamento nas causas sociais (para muitos, em termos práticos, criou imagem de fusão entre poder governamental e autoridade religiosa); e a reformulação dinamizada pelo Movimento Carismático.
Em Macapá, destaque para a Igreja de São José (o prédio mais antigo da cidade, de 1861), os conflitos com a chegada dos primeiros missionários evangélicos e a história do estabelecimento do Círio de Nazaré.

Em Breve História das Igrejas Evangélicas no Amapá é apresentado o pioneirismo dos missionários  da Assembleia de Deus, algo que tem sido estudado em maior destaque esse ano, por isso o que me instigou mais nesse artigo foram informações sobre o início de outras denominações evangélicas (como os Presbiterianos nos anos 40 e Batistas nos anos 50). Desse ponto em diante o foco do livro é voltado apenas aos assembleianos e, a exemplo do que aconteceu em outras partes do Brasil e em histórias do início da denominação, vemos também dissensões entre os líderes no Amapá na trajetória da igreja, gerando separações. Fato decorrente de desacordos ministeriais que deram origem a duas convenções estaduais de pastores: a CEMEADAP (Convenção Estadual dos Ministros das Assembleias de Deus no Amapá)  e UFIADAP (União Fraternal das Igrejas Assembleia de Deus no Amapá), que tem suas histórias contadas em aspectos, embora conflituosos e nessa caracterização nada bonitos, de importância para estudos.

As transformações na Assembleia de Deus é o terceiro artigo e dos mais interessantes no livro, por mostrar a identidade atual dos assembleianos no Amapá. Duas coisas se destacam: a educação teológica de cunho acadêmico valorizada e incentivada entre os líderes, e a admissão de pastoras no ministério. Esses aspectos se ressaltaram na convenção de ministros ligados principalmente à UFIADAP que, ao lado de outra convenção de pastores do Distrito Federal (no parecer do livro) são as únicas que fazem a consagração de pastoras no ministério da Igreja Assembleia de Deus no país. Temos congregações amapaenses que são lideradas por pastoras e é ressaltado que a aceitação é grande, apesar de conservadorismo ainda presente.
O capítulo tem uma parte também interessante sobre a participação de mulheres nos relatos bíblicos do Novo Testamento. Deixo em registro as profetizas filhas de Felipe (Atos 21:8-9), a docência na igreja de Priscila (Atos 18:26) e o trabalho assistencial de Tabita, também chamada de Dorcas (Atos 9:36-43). Destaque para Gálatas 3:28, sobre a ação desejada na igreja.

O crescimento das Assembleias de Deus no Brasil e Amapá mostra um decréscimo no movimento pentecostal em termos gerais, baseado em dados do IBGE. O texto analisa a história e cita aspectos que favoreceram o avivamento no primeiro momento da chegada dos pentecostais. Estão relacionados à valorização dos marginalizados (pobres, negros, índios, ribeirinhos, analfabetos) e, principalmente, em entrega a um propósito de vida que para muitos não parece mais novidade hoje. Penso em frieza espiritual quando o evangelho parece encoberto em seu valor aos olhos de uma sociedade que procura enquadrá-lo a seus interesses e não ao real objetivo de viver em comunhão com Deus.

O livro tem esses e outros aspectos muito interessantes para reflexão e discussões no estudo da trajetória da Igreja Assembleia de Deus no Amapá.
Com exceção de alguns pontos na organização e layout que não curti, a obra é preciosa e fundamental para estudantes, historiadores e teólogos que queiram enriquecer suas pesquisas sobre o Amapá.

Mais informações sobre a história centenária da Assembleia de Deus no Amapá em:

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Vila Serra do Navio - Comunidade Urbana na Selva Amazônica (Benjamin Adiron Ribeiro)

Esse é precioso na Biblioteca Ambiental da SEMA em Macapá. Espia só...

"Esta obra descreve, analisa e critica todo o processo de criação, desenvolvimento e implantação do núcleo urbano da Vila de Serra do Navio, no Amapá.
A partir da descoberta do manganês na região em meados dos anos 50, o autor investiga em detalhes as questões ligadas ao urbanismo, à arquitetura, aos materiais e à construção de uma cidade nova na selva amazônica.
Completa o texto o capítulo OPINIÕES E COMENTÁRIOS, onde aparecem avaliações recentes de pós-ocupação as quais atestam ainda hoje a qualidade do espaço urbano e arquitetônico construído há mais de 30 anos."
 
BENJAMIN ADIRON RIBEIRO (Informação retirada do livro, contextualizada para o início da década de 1990) 

Autor: Benjamin Adiron Ribeiro
Editora: PINI 

Ano: 1992 
Páginas: 110 
Tema: Arquitetura, Planejamento Urbano, Serra do Navio, História

Registro no SKOOB, em 28/04/2017 
A obra foi publicada na década de 1990 com um olhar na história, peculiaridades, inspirações e projeção da Vila de Serra do Navio, enquanto construção impactante e diferenciada no cenário amazônico. 
Algo que se destaca é o belo acervo de imagens (fotos, desenhos, plantas), ilustrativo da proposta inovadora e minuciosa na inserção do homem na região. Percebemos planejamentos contemplativos ao bem estar, à vida social, à segurança, à educação, à aclimatação, ao conforto, à praticidade, entre outros aspectos numa série de pequenos detalhes, às vezes, de simplicidade espantosa, mas com resultados práticos harmoniosos e muito positivos aos objetivos traçados. 

Ruas largas e pavimentadas
Exemplificando, as ruas secundárias (entre as principais que contornavam a vila) foram planejadas mais largas e sinuosas visando o lazer das crianças.

Casas diversas, sem muretas ou gradis.
As casas, embora alinhadas, tinham fachadas diferenciadas em formas e cores, buscando-se ruptura com um cenário que inspirasse monotonia; privilegiou-se as venezianas na arquitetura diante das condições climáticas; muitas casas tinham algumas paredes que não se encontravam com o teto no ambiente interno, favorecendo a ventilação; entre outras coisas.

Móveis desenhados pelo arquiteto e oficinas com artesãos treinados pela ICOMI.
Interessante que o projeto não visou apenas a arquitetura urbanística, mas também a idealização de móveis para as construções e a vida social.

Vila Serra do Navio
As imagens também trazem um contraste espetacular entre a modernidade que se estabelecia e o entorno impactante da floresta. Por isso há declarações peculiares, como a vila ser um milagre na floresta ou uma ilha na Amazônia

Macapá era uma pequena mancha urbana na vastidão amazônica.
O contraste também se estabelece em paralelo à realidade do cenário amapaense e amazônico.

Benjamin Adiron Ribeiro
(Autor do livro)
O livro está dividido em cinco parte:
Em O manganês no Amapá, o autor resgata de forma sucinta um histórico da região (da descoberta do manganês à instalação da vila) e também o andamento das concessões contratuais (o primeiro foi assinada em 1947, com a concessão mineral para a ICOMI; o segundo, de 1953, previa a construção do porto em Santana; e o terceiro, também assinado em 1953, estabelecia a construção da ferrovia). O capítulo encerra com breve cronologia sobre esses eventos. Não posso deixar de registrar um pequeno erro. Nas sucessivas referências à cidade de Santana o autor cita a localidade como Porto de Santana.
Em Informações Básicas o aspecto valorizado é o estudo para a construção da vila, que abrangeu o contexto ambiental, social e econômico da região.
Planejamento, Projeto e Construção é o capítulo mais extenso, com riqueza de imagens e projeções para a vila nos aspectos levantados, sejam estruturais ou urbanísticos, em proveitosos detalhes.
A quarta parte mostra Opiniões, Comentários e Controvérsias. Depoimentos diversos sobre a vila. Foi Raquel de Queiróz, entre as declarações, quem citou a ICOMI como um milagre amazônico, e o encerramento dessa parte mostra um debate nas perspectivas iniciais para a construção (o confronto de ideias entre vila definitiva e acampamento provisório; cidade planejada em paralelo à cidade espontânea; comunidade fechada e comunidade aberta; adensamento demográfico e serviços urbanos; plano diretor e planejamento urbano). Segundo o texto, o que imperou foi a maleabilidade em ir construindo e adaptando, sem se estabelecer um rigoroso e pomposo plano para ser seguido com rigor.

Oswaldo A. Bratke
(Autor do Projeto)
Em Conclusões o autor tenta chegar a um consenso no que motivou sua pesquisa no olhar sobre a Vila de Serra do Navio: As perspectivas de vida, em diferentes classes sociais, são melhores em comunidades urbanas planejadas? (resposta sujeita a critérios de avaliação subjetiva, mas a organização foi ressaltada); A quem caberia a responsabilidade e a iniciativa de providenciar o planejamento das comunidades urbanas? (o autor dissertou sobre ações conjuntas); Qual o papel do arquiteto no planejamento urbano? (consenso sobre uma visão privilegiando diferentes fatores, como se estabeleceu em Serra do Navio).
Acredito que para todos os moradores serranos dos áureos tempos da ICOMI a obra seja saudosista e preciosa. Morei em Serra do Navio entre os anos setenta e oitenta e a lembrança e experimentação de tudo que vivi foi realmente diferenciada. As coisas só funcionavam dentro de um planejamento e harmonia entre autoridades e sociedade civil. Sem isso, como hoje, se estabeleceu a ruína e descaracterizações constantes.

Todas as imagens foram retiradas do livro, 
que está à disposição para consultas 
na Biblioteca Ambiental da SEMA em Macapá - Amapá.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Revista ICOMI Notícias Nº 01 (Janeiro de 1964)

Essa vai para meus amigos colecionadores, a edição pioneira da ICOMI Notícias.
"Foi a primeira revista institucional a circular no Território Federal do Amapá, sendo editada pelo Departamento de Relações Públicas da ICOMI, com tiragem mensal de 3 mil exemplares, distribuído gratuitamente aos funcionários da mineradora e para aqueles que gostavam de uma leitura diversificada."
(Informação de EMANOEL JORDÂNIO - Veja a continuidade desse artigo, com outros informes históricos, como período de circulação e total de edições, no blog MEMORIAL SANTANENSE)

A coleção é uma preciosidade para estudos sobre a ICOMI, sendo frequentemente citada  em trabalhos acadêmicos sobre a mineradora.
Os seguintes pontos foram abordados na primeira edição, entre
seções de cultura, esporte, saúde e sociedade:
# Manganês: vida no coração da floresta 
# Surge uma nova geração: nenhuma só criança sem escola
# Para o homem da Amazônia, máquinas não tem segredo
# VI Conferência das Guianas no Amapá


Algumas imagens da revista:
Uma das primeiras salas de aula, ainda no tempo das escolas provisórias.
Diplomação em cursos primários.
O valoroso esquadrão do Santana, tricampeão amapaense em 1960-1961-1962.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Compêndio de Curiosidades Bíblicas (Gesiel Oliveira)

"Este livro foi desenvolvido por se perceber carência no tema. O escopo primordial é dar subsídios aos leitores em síntese breve, mas objetiva, de assuntos de interesse bíblico, desmistificando e elucidando dúvidas frequentes ao estudante da Bíblia, além de descortinar curiosidades sobre assuntos seculares conexos. A aplicação é abrangente, servindo de imprescindível suplemento para professores e alunos de Escola Bíblica Dominical, obreiros em geral, aspirantes ao ministério, estudantes de teologia, pregadores, mestres, enfim, a todos que tiverem interesse e curiosidade sobre assuntos pertinentes à Bíblia. Espero que o leitor possa aproveitar da melhor maneira possível o conteúdo e que possa ampliar seus conhecimentos a respeito das Sagradas Escrituras."
(Pr Gesiel Oliveira - Autor)

Informações do livro: 
Título: Compêndio de Curiosidades Bíblicas - Desvendando as entrelinhas da Bíblia
Autor: Gesiel de Souza Oliveira
Editora: Gráfica & Editora Brasil Ltda (E-book)
Páginas: 90
Ano de publicação: 2011
Tema: Curiosidades bíblicas


Uma forma divertida, envolvente e curiosa de conhecer as Sagradas Escrituras. Basicamente, é um livro com perguntas e saberes, inusitados e importantes, onde o leitor descobre aspectos diversos e surpreendentes. Alguns são amenidades (maior ou menor versículo, total de capítulos ou versículos, o capítulo do meio da Bíblia, etc e tal), outros abrangem a geografia bíblica, contexto de época, particularidades não conhecidas de várias personagens, visão sobre livros apócrifos, cultura judaica e algumas brincadeiras ingênuas (tipo assim, que capital brasileira tem o nome citado na Bíblia? Fácil, Fácil! Opa! Se é para brincar, será que o autor conhece aquela pegadinha sobre a mulher na Bíblia que criou Asa e não voou? Ops! Na forma escrita não dá para disfarçar muito a questão...).
Falando sério, curti o livro, principalmente na valorização ao contexto de época, que proporciona curiosas histórias. 
A organização é em perguntas e respostas com as respectivas passagens bíblicas registradas, totalizando 566 questões. Uma que muito me chamou a atenção foi a correlação que o autor fez das chamadas 10 pragas do Egito com a mitologia naquele contexto. Sensacional a abordagem, que nunca tinha visto. Mas também senti falta de algo nas curiosidades bíblicas: sobre os irmãos de Jesus, que tem citações diversas nos evangelhos e epístolas, iniciando com aquela de Jesus ser o filho unigênito do Pai (João 3:16) e o primogênito de Maria (Lucas 2:7).
Enfim, um livro bem sugestivo para leitura no celular, capaz de divertir, edificar, surpreender e trazer um conhecimento muito legal.
 

GESIEL OLIVEIRA é amapaense, professor, teólogo, escritor, palestrante e pastor na Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Macapá.

A quem interessar, o autor disponibilizou o download no seguinte link 

segunda-feira, 13 de março de 2017

Jornal Ambiente Total Ed. 26 (2014) - Histórico da Ferrovia da ICOMI no Amapá

O jornal Ambiente Total circulou entre 2011 e 2015 com temática voltada para questões ambientais e história amapaense, totalizando 35 edições no período.
A edição 26, publicada em 2014, trouxe um assunto de procura recorrente em bibliotecas amapaenses, por isso resolvi resgatar. Tudo que se relaciona à ICOMI é histórico, importante e relevante para pesquisas no Estado do Amapá.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

O centenário da chegada dos evangélicos no Amapá: 1917 - 2017 (Besaliel Rodrigues, 2017)

Olá, gente boa! Estou divulgando mais uma obra histórica sobre a chegada dos evangélicos no Amapá, centenária esse ano. Veja aí algumas considerações.

Informações do livro: 
Título: O centenário da chegada dos evangélicos no Amapá: 1917-2017
Autor: Besaliel Rodrigues 
Editora: Edições da Amazônia
Páginas: 44
Ano de publicação: 2017
Tema: Pentecostalismo - Cristianismo - História - Assembleia de Deus - Amapá



Conforme termo referenciado no prefácio e apresentações que acompanhei, é um opúsculo introdutório às publicações em comemoração ao centenário da chegada dos evangélicos no Amapá.
A obra é sucinta, tem menos de 50 páginas e foi lançada oficialmente em 24/01/2017, em culto no templo central da Assembleia de Deus A Pioneira em Macapá. As informações tratam da representatividade, contexto de época, inspirações e origens do movimento pentecostal até chegar ao Amapá. Vemos o resgate histórico do pentecostalismo em seu significado na cultura judaica, analisando-se também a percepção correlacionada que passou a ter no início da igreja cristã. Destaque para o movimento pentecostal nos Estados Unidos no século XX, que inspirou a formação da Igreja Evangélica Assembleia de Deus, como congregação em 1911.
Esse olhar é interessante para perceber as motivações que trouxeram os evangélicos ao Amapá, iniciando nessa terra uma obra importante e valorosa que comemora agora seu centenário. 
O autor tece considerações sobre o movimento pentecostal que chamam a atenção. Segundo a análise, o termo pentecostes remete à cultura judaica e talvez não seja o mais apropriado para definir o derramamento do Espírito Santo relatado na formação da igreja no livro de Atos dos Apóstolos. O termo se associou por estar sendo celebrado naquele momento a Festa do Pentecostes Judaico, comemorada cinquenta dias após a Páscoa. A observação é de tentar facilitar o entendimento ao leitor do significado pentecostal, porém, faltou uma ênfase ao que seria mais adequado em termos de nomenclatura. 
Página 44
Gostei especialmente do capítulo 9, que descreve a chegada do missionário Clímaco em Macapá com detalhes que não conhecia. Descoberta interessante saber da conversão e apoio que recebeu do morador local Fausto, o primeiro evangélico da terra. A questão da rejeição ao missionário e prisão arbitrária que sofreu também é investigada em um contexto social e jurídico que existiu entre as constituições de 1824 e 1891, que ainda influenciava a sociedade. 
Outro ponto de destaque é a linha do tempo com a história centenária da Assembleia de Deus. Acredito que ainda está em pesquisa e enriquecimento, podendo ser ampliada ou feita alguma correção, como talvez a data precisa da queda do primeiro templo da igreja.  
Por essas e outras é uma obra valorosa, principalmente pelo déficit de material no tema.
(Registro no SKOOB, em 10/02/17)


A seguir, duas datas que separei da linha do tempo
 do centenário da Igreja Assembleia de Deus em Macapá:
             1922 a 1940 
- O período foi um dos mais difíceis para a nascente Igreja em nossa cidade; vários fatos impediam obreiros de fixarem residência para a assistência ao trabalho. A obra estava sob jurisdição da AD de Belém-PA, que de tempos em tempos enviava missionários ou pastores para visitá-la. 
- A Igreja não tinha templo, funcionava nas casas.

            1941 a 1944 
- Até o início da década de 1940, vários pastores por aqui vieram cuidar da pequeninha igreja que em Macapá funcionava, mas nenhum fixou residência. O primeiro fixo foi o Pastor Flávio Monteiro. Nesse período construíram a primeira congregação (de madeira) e a casa pastoral (atrás). Os bancos para sentar eram sem encosto e a iluminação era a antiga lamparina, tudo na maior simplicidade. Mesmo nesse ambiente, Deus enchia a todos com o Espírito Santo.
- Os pastores, muitas vezes, para complementar suas humildes despesas do dia a dia, faziam carvão (nos terrenos mais distantes) e farinha (ao lado da pequena congregação) para posteriormente venderem por preço irrisório e assim complementarem suas despesas. Mas tudo valeu a pena!
Disponível para consultas na Biblioteca Ambiental da SEMA.