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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Vale do Jari, história contada em samba-enredo/2012

Em 2012, no carnaval amapaense, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Piratas Estilizados apresentou o samba de enredo "O Encantado Vale do Jari". A proposta foi contar a história do povo na região sudoeste do Estado do Amapá, mostrando seus mitos, suas lendas, riquezas naturais e desenvolvimento. Eu não gosto de carnaval, mas penso ser interessante conhecer essa letra.

Edição: R. Castelo

"O Encantado Vale do Jari"
(Compositores: Aureliano Neck e Nonato Soledade / Intérprete:  Aureliano Neck)

Às margens do rio
O Beiradão surgiu
Era gente de todo lugar
Querendo explorar
Num sistema de semiescravidão
Trabalhavam sempre devendo ao patrão

Zé Cesário vendo a situação
Liderou a revolta da região
Os índios com medo
Dos novos habitantes
Fugiram para matas distantes.

O Regatão chegou, trouxe a cultura
Festa junina e outras misturas
Na religião, fé e devoção
Mitos e lendas na imaginação (Oh quanta)

Quantas belezas naturais
Reservas, parques florestais
Trilhas, igarapés, cachoeiras
Rios com corredeiras
Indústrias, riquezas minerais
Mas chegou a emancipação
Beiradão se desmembrou de Mazagão
Nasceu então o Laranjal do Jari 
Com desenvolvimento sustentável
O progresso veio a florir

Quem é estilizado diz aí:
O Laranjal alaranjou aqui
A Ivaldo Veras vai sacudir
Com o encantado Vale do Jari.
   
Fotos da Agência Amapá mostrando o desfile da Escola Piratas Estilizados (conhecida também como Piratinha) em 19/02/2012. É uma agremiação macapaense, fundada em 1974, com sede localizada no Bairro do Laguinho e com as cores laranja e preto (Fonte:wikipedia). 
Em 2012, com o tema citado, obteve a 4ª colocação entre as escolas que desfilaram no grupo especial do carnaval amapaense.

Pontos abordados:

Foto:Marcelo Lourenço (anos de 1980)
- A letra fala da formação do Beiradão às margens do rio Jari, que nasceu como um aglomerado de casebres devido a ocupação descontrolada na região por pessoas em busca de emprego no Projeto Jari. As condições de habitação e saneamento eram precárias resultando no que foi considerada, nos meados dos anos 1970/1980, a maior favela fluvial do mundo (Veja AQUI), sem organização na infra-estrutura e com graves problemas sociais (prostituição, violência, drogas e desemprego). Hoje deu lugar ao município de Laranjal do Jari, emancipado e desmembrado do município de Mazagão em 1987 pelo Decreto Estadual Nº 7.639 (Veja AQUI). Na publicação "O Poder Municipal do Amapá no Novo Milênio" (2002) encontramos a história de como foi ocorrendo a formação do Beiradão relatada por seu suposto primeiro habitante (Veja AQUI).

José Júlio de Andrade
(1930)
 - A exploração citada refere-se ao extrativismo de produtos amazônicos na região do Jari (borracha, andiroba, copaíba, castanha, etc) e ao modo como os trabalhadores eram tratados. No final do século XIX e início do século XX veio muita gente trabalhar na região, principalmente nordestinos. Trabalhavam na informalidade, liderados por capatazes que frequentemente impunham uma rígida disciplina. Não havia vínculo empregatício e imperava o aviamento, praticamente um sistema de escravidão. Acompanhe: os empregados recebiam mercadorias para suas necessidades básicas e o salário ficava comprometido em pagá-las. Essas mercadorias eram superfaturadas, o valor era descontado no pagamento e nada sobrava a não ser a contínua necessidade de adquirir mais produtos e assim acumular mais dívidas com o patrão. A migração na região deveu-se aos investimentos iniciados pelo Coronel José Júlio de Andrade, que tornou-se também um influente político, era considerado o maior latifundiário do mundo e tinha fama de governante com mão-de-ferro, que mandava castigar severamente os insurgentes (minha avó testemunhou-me umas ações assim). Há também publicações que o mostram como uma pessoa branda, sendo sua má fama consequência das ações severas de seus capatazes. De qualquer maneira, os negócios eram conduzidos de modo rígido, sem muito domínio da tecnologia, com os empregados sujeitos aos desmandos e sem direitos trabalhistas assegurados. É disso que a letra do samba está falando.  Fonte: "Jari: 70 anos de história" de Cristovão Lins.

- Zé Cezário, citado na segunda estrofe, foi um trabalhador que liderou “A revolta de Cezário” (em 1928), onde insurgentes tomaram um navio na região e prenderam alguns capatazes conhecidos pela severidade e crueldade, tornando-se uma manifestação de insatisfação e revide aos frequentes maus tratos. A rebelião eclodiu devido a esposa de Zé Cezário ter sido vítima de assédio ou maus tratos por parte de Duca Neno (cunhado do Coronel José Júlio de Andrade, famoso como um dos capatazes mais cruéis). Após o movimento muitos voltaram a trabalhar na região do Jari novamente e a rebelião ficou registrada como uma das páginas mais depreciativas na história da região da Jari nos tempos do Coronel Zé Júlio, (Fonte: "Jari: 70 anos de história" de Cristovão Lins).
Sugestão de leitura: "Jari: 70 anos de história" (Cristóvão Lins, 2001). Um valioso livro sobre a história de desenvolvimento na Região do Jari. O autor apresenta um estudo detalhado, citando personagens, acontecimentos relevantes, as características do empreendimento ao longo do tempo, as dificuldades e fatores que influenciaram o sucesso, desgaste ou fracasso, entre outras coisas. São 302 páginas distribuídas em 6 partes (as fases históricas): 
Parte 1 - O Jari Primitivo: Apresentação da região, considerando-se a geografia, as características ambientais e suas possibilidades econômicas, as tribos indígenas existentes e como se deu a ocupação desta proeminente região no Baixo Amazonas. Tem até a história de um crime ocorrido em Almeirim envolvendo um padre. Tempos que o autor nomeou como Jari Primitivo, antes do século XX. Ah... Agora entendi porque não existem botos transitando frequentemente pelo rio Jari (morei em Monte Dourado em 1984-1985 e nunca vi um naquele rio ainda muito preservado). Vai ler o livro que eu não vou te contar.

Parte 2 - A Fase José Júlio: Se estendeu de 1900 à 1948 quando o Coronel Zé Júlio investiu na região e vieram muitos trabalhadores em busca de oportunidades. O autor mostra o modo de trabalho arcaico, histórias interessantes, o empreendedorismo do coronel e sua biografia (segundo alguns críticos, com uma visão polêmica, sem caracterizá-lo com a arbitrariedade direta contra os empregados como era conhecido). O coronel introduziu a pecuária e bubalinocultura na região, mas o que teve maior importância em seus negócios foi o extrativismo da castanha.

Parte 3 - A Fase Portugueses: Período que a Jari foi adquirida por um grupo de cinco empresários portugueses (1948 à 1967). Ocorreram alterações importantes no empreendimento: rotatividade de empregados, modernização em alguns sistemas para melhor aproveitamento e beneficiamento dos produtos, introdução da agricultura (cacau, pimenta do reino e seringueira, diferenciando-se da fase anterior que era essencialmente extrativista) e investimentos para produção em larga escala com as várias possibilidades (incluindo comércio de peles de felinos com a ação nociva de gateiros - o autor, por exemplo, cita um que em um mês matou 160 gatos maracajás e 20 onças). Ocorreu também insucesso pela falta de um conhecimento técnico específico em muitas áreas. Que tal educação ambiental? O que não mudou foi o modo de trabalho dos empregados que continuavam sem garantias asseguradas.

Parte 4 - A Fase Ludwig : É o período (1967-1981) que me foi de maior interesse a leitura, pois mostra a industrialização da região por aquele que era um dos homens mais ricos do mundo (talvez o mais). Tem muita informação interessante, uma verdadeira viagem. Segundo o autor, onde hoje encontramos a cidade de Vitória do Jari, ex-Beiradinho, poderia ter se localizado a sede do projeto que foi construída em Monte Dourado (PA). Isso não vingou por conta de entraves com o governo amapaense. O livro fala dos vários investimentos e a causa de fracassos na Jari. Um dos fatores primordiais foi o déficit no fator energia disponível. Havia um projeto de Ludwig de construir uma hidrelétrica (vetado pelo governo brasileiro). Já pensou o que isso representou? Muito coisa poderia ter sido diferente hoje e aquela região poderia despontar como um dos locais mais desenvolvidos no Amapá (por outro lado a Cachoeira de Santo Antonio teria sumido para sempre com aquela mentalidade de desenvolvimento da década de 1970). Tem outras histórias interessantes: já ouviu falar da gmelina? Foi uma das motivações do empresário buscar estas terras (também, segundo o autor, tratadas como a menina dos olhos). Uma promissora terra para o desenvolvimento de uma árvore exótica a ser cultivada (apontada por seus pesquisadores como a ideal aos objetivos empresariais). Ah se soubessem do desenrolar... O projeto agroflorestal foi se desgastando com insucessos, o empresário teve prejuízos e  enfrentou uma resistência por parte de autoridades políticas para que avançasse em etapas fundamentais (como a construção da hidrelétrica). Houve uma propaganda política negativa de equivocados nacionalistas, vetando uma grande perspectiva de maior desenvolvimento na nossa região (o autor comenta que muitos opositores nem sabiam onde era a Jari) . Não deixou também de ser algo irônico pois os americanos, através deste empreendimento, experimentaram uma rejeição parecida ao que estimularam com seu imperialismo na América Latina contra ideologias contrárias a seus interesses, vistas como "ameaça contra a soberania nacional"

Parte 5 - A Fase de  Nacionalização: Período em que o empreendimento foi administrado pelo empresário Augusto Antunes, ocorrendo uma reestruturação na transição do grupo, que enfrentava momentos difíceis.

Parte 6 - A Fase Sérgio Amoroso: A partir de 1999 quando a Jari foi adquirida pelo empresário paulista. Uma das características na fase foi a instalação da Fundação Orsa, que desenvolve programas sociais na região (recebendo investimentos do faturamento do empreendimento para isso).

O livro está esgotado e pode ser pesquisado na Biblioteca SEMA em Macapá. Talvez o autor em novas edições, e tomara que aconteça mesmo, acrescente outros capítulos devido os eventos decisivos que estão se desenrolando na região da Jari.

O que há de marcante é a construção da Hidrelétrica de Santo Antônio e o projeto de modernização da fábrica de celulose em 2013, que passa por difícil momento e requer melhorias. O ponto negativo é o fechamento por cerca de dez meses para as obras internas. Há a perspectiva de uma demissão em massa dos trabalhadores, gerando um impacto acentuado na economia local.

Outro livro para pesquisas sobre a Jari é:

"Amazônia: as raízes do atraso" (Cristóvão Lins, 2012). A publicação é do mesmo autor do livro descrito anteriormente e, entre os estudos da Amazônia, apresenta um capítulo sobre a região da Jari, citando coisas como o Projeto Arroz em São Raimundo, a mineração do caulim (algo também exposto na letra do samba), a pecuária na região e as respectivas fases do Empreendimento Jari. Pode ser adquirido em livrarias e bancas de revistas em Macapá. Veja o lançamento AQUI.


Vamos agora voltar à letra do samba e obter mais informações.

Mapa: SEMA-AP
- Os índios são também citados e a região tem algumas etnias, havendo registro de confrontos e mortes. Especificamente, no Município de Laranjal do Jari encontramos as seguintes áreas: 
. Parte da Terra Indígena dos Waiãpis - Homologada em 1996 com mais de 30 aldeias. Historicamente os waiãpis passaram a se estabelecer nessa região a partir do século XVIII, migrando da região do Xingu (PA) pressionados pelo colonizador europeu (Fonte: "Amapá: experiências fronteiriças" de Sidney Lobato) 
. Parte da Terra Indígena Parque do Tumucumaque, homologada em 1997 tendo as etnias Tiryió, Kaxuyana, Aparaí e Wayãna.

- Os regatões citados eram embarcações comuns cujos proprietários faziam o comércio na região. Além dos produtos amazônidas, transportavam também medicamentos, revistas, tecidos, produtos alimentícios, utensílios domésticos, correspondências e outras coisas de grande importância aos povos da floresta. Ah! E se prestavam também a levar "encomendas". Quando morei em Monte Dourado ainda era vigente isso dos moradores transportarem mercadorias e cartas pelas embarcações na linha Santana-Monte Dourado (falava-se com os responsáveis do barco e eles se prontificavam a entregar a alguém esperando no porto) . Eu recebi cartas assim. Não era como no tempo dos regatões mas deu para viver um pouco do que representaram. No auge dos regatões eles eram a única possibilidade para uma série de coisas. Daí os versos: ...O regatão chegou, trouxe a cultura... Eram verdadeiros armazéns flutuantes. 
Quem mora em Macapá tem uma ótima oportunidade de conhecer o valor destas embarcações visitando o Museu Sacaca. Os regatões ainda circulam, mas é uma prática sem o impacto de representatividade que tinham no passado.

Sugestão de leitura: “Na ilharga da Fortaleza, logo ali na Beira, lá tem o regatão: o significado dos regatões na vida do Amapá - 1945 a 1970" (Paulo Cambraia, 2008, Ed. Açaí). A obra faz um resgate da importância deles no desenvolvimento da região, algo que chegou a ser ignorado nos primeiros anos de criação do Território do Amapá pelo primeiro governador. Planejava-se a abertura de estradas em busca de desenvolvimento e, paralelamente, havia um equivocado descaso ao que tinha grande representatividade na vida amapaense: as hidrovias com seus regatões. O Amapá tem sua história também intimamente relacionada a essas embarcações e é o que o autor se propõem a nos mostrar. 

Regatão do Museu Sacaca e seu interior. No destaque minha mãe Alzira Castelo, que foi ribeirinha na região de Breves (PA), apresenta as particularidades da embarcação para a neta Isabelly Castelo. Uma transmissão de conhecimento entre as gerações muito legal, fica a sugestão às famílias.
- As lendas são citadas na letra e, naquela região, encontramos no folclore todas as que são conhecidas e difundidas na Amazônia. A região também favorece a mitologia com um encantador cenário com seringais, castanhais, rios de águas escuras e regiões com belezas naturais ainda desconhecidas e pouco visitadas. Tudo é ambiente fecundo para isso. 

Banalidades ridículas de Gregor Samsa: O Coronel Zé Júlio de Andrade, principal autoridade na região nos tempos da primeira fase da Jari, era tido como um homem muito supersticioso e assim eram e ainda são muitos hoje. A região tem também acontecimentos que inspiram o imaginário, como o naufrágio do Novo Amapá (Veja AQUI e AQUI) e a expedição de pesquisadores alemães nazistas, sem falar das histórias dos caboclos como os seringueiros (ainda vou contar um dia uma estória de cigarro encontrado ao pé de seringueira e o "caboco baixando", mas isso é uma dessas minhas ridículas viagens para depois). O livro de Cristovão Lins "Jari: 70 anos de história" relata acontecimentos (verídicos) que certamente despertam o imaginário também, como o de morte de castanheiro devido ouriço ter caído em seu paneiro nas costas e partido sua coluna, devido a força e velocidade que atingiu na queda. Eu heim!? Parece mentira, mas é verdade, não parece até lenda? Outra história interessante transcrevo literalmente a seguir, ocorrida na região (não no lado de Laranjal do Jari, mas na região) no tempo de Ludwig:
"Houve também o caso de uma onça que comeu 152 animais, na maioria bezerros, no período de aproximadamente um ano. Esta onça, até o dia em que foi caçada, virou uma espécie de lenda entre os vaqueiros de Saracura, que davam as explicações mais extravagantes sobre sua astúcia. Uma vez o capataz da área disse que havia uma velha na localidade de Bom Jardim, às margens do Rio Jari, acusada pelos moradores de virar onça. Assim, suspeitava ele, poderia ser a velha que virava onça e vinha à noite atacar os animais em Saracura. Realmente a onça era astuta. Sabíamos que ela existia porque achávamos as embiaras (a presa abatida), mas ela nunca voltava para comer uma segunda vez, fato incomum na espécie felina. Certa vez um vaqueiro em campeada caiu com o cavalo em um buraco erodido pela chuva, não conseguindo retirar o animal.No espaço de tempo de 3 horas, quando vieram mais vaqueiros para retirar o cavalo, a onça já o havia matado e retirado do buraco, fugindo para a mata ao sentir a aproximação das pessoas." (Texto do livro citado, páginas 206-207, 3ª edição - 2001). Poxa! E eu que gostei de histórias como a do filme "A Sombra e a Escuridão"... Para mim esta foi uma descoberta muito interessante e ainda tem outra história neste segmento, também no livro de Cristóvão Lins, sobre o ataque de uma sucuri em uma região de várzea a um trabalhador da Jari (na década de 1980).
Mais banalidades extremamente ridículas de Gregor Samsa: Meu avô Apolinário trabalhou na Jari e, por um tempo, esteve em um acampamento muito distante e ermo chamado Pacanari (no início de 1980 - foto ao lado). Passei uns dias lá quando menino e corriam cada história sobre onças. Depois das 18h ninguém podia ir em um igarapé próximo, onde costumava-se tomar banho, pois circulava que elas apareciam e ai de quem estivesse em seu caminho. Um temor que me era acentuado principalmente porque depois de determinada hora noturna a eletricidade ia embora e ficávamos à luz de vela em alojamentos sem muita segurança, com portas ainda não fixadas. Diziam que andavam no acampamento também... 


São ou não são histórias com conotação lendária? Iguais a estas houveram outras. Sou fascinado por elas. 
É por sua natureza, encantos e histórias que o Vale do Jari é também um celeiro na mitologia.

Desenho de meu amigo R. Castelo (1989). É uma tentativa de reproduzir uma possível cena na natureza que, com uma boa dose de imaginação, semelhante a outras, pode transformar-se em histórias contadas, lendas, lorotas, causos e afins.
- O samba fala de belezas naturais, reservas, parques, rios, etc. É que a região, falando especificamente do Município de Laranjal do Jari, é conhecida por belos cenários naturais (como a Cachoeira de Santo Antonio e o Rio Iratapuru) e tem grande extensão de seu território como áreas protegidas, que são:  
Parte da Terra Indígena Parque do Tumucumaque  
Parte do PARNA Montanhas do Tumucumaque  
Parte da Terra Indígena Waiãpi  
Parte da RDS do Rio Iratapuru  
Parte da Estação Ecológica do Rio Jari  
Parte da Reserva Extrativista do Rio cajari  
Além de assentamentos agroextrativistas 
Uma sugestão para conhecer essas áreas é ver o livro "Áreas Protegidas do Amapá", publicado pela SEMA-AP (2012).

Imagens do Vale do Jari - Retiradas do EIA/RIMA UH St. Antonio - 2009
- Mas nem tudo é encanto como diz a letra, atualmente um desses belos cenários naturais, justamente o mais bonito: a Cachoeira de Santo Antonio, vive seus dias de pesadelo ambiental por conta da construção de uma hidrelétrica que interrompeu a queda d'água. Os impactos foram muitos e nada será mais como antes. Sei que muitas coisas são necessárias para beneficiar nossa sociedade, e venham sempre, mas serão sempre a custo de um alto preço para nosso meio ambiente? Essas são palavras de um entusiasta pelas questões ambientais, mas é preciso saber também que:

O EIA/RIMA (2009) desse empreendimento
está disponível para consultas na 
Biblioteca SEMA-AP
O empreendimento, se as coisas ocorrerem como propostas, trará um benefício muito grande para aquela região e, por tabela, ao nosso Amapá. Além de gerar emprego, também suprirá a carência de distribuição de eletricidade - em dezembro de 2010, por exemplo, teve uma manifestação ferrenha na cidade de Laranjal do Jari por conta de apagões que, para alguns mais afoitos, foram um equivocado estímulo para invadir e depredar vários prédios públicos na cidade, como a biblioteca ambiental recém-implantada (algo já superado, veja AQUI). A hidroelétrica também (não sou nenhum especialista, mas acompanho o noticiário) está sendo construída de uma forma que a barragem e lago de inundação não atinjam diretamente a cachoeira, o que possibilitará, teoricamente, sua preservação e visualização. Os impactos serão inevitáveis sim, principalmente na área acima da cachoeira: formação de reservatório, desmatamento para o empreendimento e as vias de acesso, realocação de moradores da área atingida, pressão na fauna e flora com a alteração do ecossistema e da qualidade da água com o processo de erosão, perda de cenário natural, pressão nas cidades e sua infra-estrutura com o crescimento populacional acelerado previsto, impacto na pesca, etc. São pontos negativos e o preço pelo benefício.  
Projeção da área abrangida pela hidrelétrica.
Imagens retiradas da apresentação do EIA/RIMA em audiência pública.
Esse material está disponível para pesquisas.
Impactos da construção da hidrelétrica sobre a cachoeira.
O que a sociedade deve fazer, entre outras coisas, é estar atenta através de seus orgãos reguladores para que os critérios estabelecidos, como as medidas mitigadoras dos impactos, estejam se cumprindo (entenda-se também ação responsável dos governantes... neste mundo de jogadas, conivência e interesses escusos...). A Amazônia é rica em recursos e o amazônida deve desfrutar disso, mas de maneira sustentável. Um alento ambiental é que a área a ser inundada não tem as mesmas proporções das hidrelétricas tradicionais (reduzindo os impactos) e, se as coisas forem como anunciadas, as águas na cachoeira, não sei com que vazão, retornarão. Não será como antes, mas também não desaparecerá como a do Paredão (mais uma vez repito, é o que anunciaram). O empreendimento representa também um ganho que é fundamental para o desenvolvimento na região sul do Amapá, pois a Hidrelétrica Coaracy Nunes não supre a carência enegética no estado, precisando de termoelétricas para isso (sempre com um custo elevado).
Para que "o progresso venha a florir", como diz a letra do samba, questões como estas devem ser consideradas. 

Volte cachoeira do vale, mostra tua magia.
 Venha 2013 e sua esperança... tão florida nos dicursos em nossa sociedade. 
 
Para finalizar, iniciando-se esta postagem com o samba de enredo, vamos também fechar falando do carnaval amapaense, citando a publicação "A história do Samba no Amapá", organizada por Carlos Pirú em 2004. É um folheto de 36 páginas ideal para quem pesquisa esse tema, apresentando de forma resumida a história do carnaval no Amapá, as Escolas de Samba, os quesitos de julgamento e o potencial turístico do evento. A publicação está disponível em algumas bibliotecas de Macapá, entre elas a Biblioteca Ambiental da SEMA.

As informações aqui apresentadas estão fundamentadas nas publicações/reportagens citadas ou impressões do autor (sujeitas a erros), objetivando a divulgação de nossa literatura e a valorização das bibliotecas. Estende-se aqui um convite a se compartilhar  as produções científicas com estes centros e assim contribuir para o maior conhecimento sobre o Amapá. Hoje, com poucas referências disponíveis para consultas em suas bibliotecas.

Veja também:

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Imagens do Bailique

 Distrito do Bailique (Mapas: SEMA/2006 - SEMA/2004)
Mapa: Google Maps 2012 (Visualize AQUI)
Para chegar lá, saindo de Macapá, são cerca de 12 horas de navegação pelo rio Amazonas.

A pesca é a principal atividade econômica da Ilha de Bailique, e por se tratar de uma área costeira, ocorre pesca em alto mar, cuja espécie alvo é a gurijuba. Nos rios as espécies mais procuradas são: a pescada, a tainha, bagre e camarão. A pesca é predominantemente artesanale e é realizada por embarcações pequenas com pouca autonomia de dias de mar (Informação de Rúbia Vale na pesquisa "A Pesca na Ilha do Bailique")
É um trajeto percorrido frequentemente pelos moradores.
Totalizando entre 160 a 185 Km de distância da capital amapaense.
Tem gente que vai de voadeira... Meu amigo, tem que ter estrutura e coragem para isso, pois a viagem não é fácil e também é perigosa, com aqueles banzeiros todos chocando-se contra a pequena embarcação.
Barcos assim são veículos comuns / Comandante Solon, navio que esteve por lá.
 
As ilhas sofrem um processo contínuo de erosão, com quedas de barrancos, devido a influências das marés e correntes.
Foto: Marjorie Bezerra de Sousa (Jaburuzinho-Bailique, Acervo Biblioteca SEMA)
MAIS IMPORTANTE
(Jonas Teles)
Tantos rios, tantas belezas
Tantas fortes correntezas
Abraçando este país.

                Tantos lagos e vertentes
                Entre grutas e nascentes
                Deixando miçununga feliz.

        Murmúros excitantes
        Cardumes viajantes
        Subindo corredeiras.

                       Represas, grotas, açudes
                       As águas e suas virtudes
                       Para o mar fazem carreira.

Com lendas e histórias
Em sequência a trajetória
Desses rios buscando o mar.

                                 Todos são elegantes
                                 Só que  o mais importante
                                 É o Rio Amazonas do Amapá.
Foto: Geysa Moura (Pôr-do-sol no Bailique, Acervo Biblioteca SEMA)
RIO AMAZONAS
(Jonas Teles)

Retificando a pureza
Impondo à natureza
Ordem, respeito e beleza.

Antélio te embelezando
Maresia te enfeitando
Amazonas, meu rio perfeito
Zingador não faz efeito.
Ordenador de embarcação
Nas ondas do coração
Amo de todo jeito
Suas lendas minha emoção.
Poesias de Jonas Diego Teles, no livro "Peripécias da Natureza" (publicado em 2008 e encontrado nas livrarias e bancas de revistas em Macapá). Também está à disposição para leituras em algumas bibliotecas.
Tem 74 poemas com a temática regional e constitui-se em mais uma singela e bonita obra que deveria ser descoberta e utilizada nas escolas amapaenses. 
Fica aqui a sugestão aos amigos professores. 

 
 Aspectos Sócio-Econômicos-Culturais
Observamos que a população tem carências e dificuldades devido a grande distância, a falta de transporte e comunicação. Vivem da pesca, caça, captura do carangueijo, açaí, palmito, banana, extração de madeira para construção naval/residencial, retirada de azeite de andiroba (oleaginosas), mel de abelha (apicultura nativa), etc.
As casas se interligam por meio de pontes, pois seis meses são de seca e seis meses de alagado. A região é constituída por florestas nativas pouco exploradas, pois os locais que passamos não demonstravam desmatamento, a não ser os provocados pela erosão fluvial. Sua fauna é rica em animais silvestres, pássaros principalmente.
No leito do rio encontram-se grande quantidade de argila, que poderiam ser utilizadas em indústria cerâmica como uma fonte de renda para a região. O palmito é mais explorado, mesmo com seu baixo valor de venda a quem o industrializa, pois o açaí (que tem um valor elevado) é pouco vendido devido sempre chegar ressecado ao destino, sem interesse para o consumo; falaram sobre o peparo do caroço de açaí e bacaba congelados, que assim não perderia na qualidade e valor nutricional, porém, as condições das comunidades, que dependem de diversos fatores, não condiz com essa realidade.
Existem comemorações de diversos santos (São Pedro, São João, São Benedito e N. Srª da Conceição). Grande parte da população da Vila Macedônia e outras de procedência evangélica, não participam ou aceitam tais procedimentos na comunidade.
(Texto retirado do Relatório I Seminário sobre Escola Bosque - Módulo Bailique, de 1996, elaborado pelo técnico em educação ambiental da SEMA: Renato Brasiliense)
Pesquisado na Biblioteca Ambiental da SEMA/Macapá e aqui postado para estudos comparativos atuais sobre o arquipélago.
Tudo muito propício à formação de açaizais, espécie comum.
Na imagem acima vemos a Vila Macedônia
 Terra das águas sedimentares do Rio amazonas...
....e terra de ribeirinhos acostumados ao regime das águas.
 
A população em 1991 era de 4.500 habitantes em 32 comunidades (IBGE).
Hoje são mais de 8 mil habitantes distribuídos em mais de 50 comunidades nas 8 ilhas (Bailique, Brigue, Curuá, Faustino, Franco, Igarapé do Meio, Marinheiro e Parazinho)
Algumas das comunidades são: Andiroba, Bom Jardim, Bom Jesus, Brigue, Carneiro, Cristo Rei, Cubana, Curuá, Filadélfia, Foz do Gurijuba, Franquinho, Freguesia do Bailique, Igaçaba, Igarapé do Abacate, Igarapé do Buritizal, Igarapé do Meio, Itamatatuba, etc. Veja no blog Coisas do Amapá (do historiador Edgar Rodrigues) a relação das comunidades e também considerações interessantes, como a origem do nome Bailique
Bela imagem! Esse canal dá acesso à Comunidade Marinheiro de Fora.
 Vamos chegando na Vila Progresso.
Considerada a principal das comunidades no arquipélago. 
Na margem onde a comunidade esta localizada, a erosão vem ocorrendo com maior intensidade, além da ação natural, a grande quantidade de embarcações que atracam em sua margem vem contribuindo para acelerar esse processo. (Texto pesquisado em iepa.ap.gov.br)
Vila Progresso é recente, sua expansão e crescimento ocorreu a partir de 1978, quando uma missão governamental realizou uma ação social na Vila provocando assim o deslocamento e fixação de pessoas vinda de outras localidades.  (Texto pesquisado em iepa.ap.gov.br)
 Segundo relato de moradores mais antigos, os fundadores da comunidade, ao criarem, tinham a idéia de expandi-la, por isso a denominação de Vila Progresso. (Texto pesquisado em iepa.ap.gov.br)
Essa postagem é um registro muito simples de imagens. Se quiser conhecer mais de perto a realidade das comunidades, em fotos e relatos, visite o extensaobailique.blogspot.com.br que apresenta impressões mais detalhadas do lugar.
Esse é o porto na Vila Progresso.
Como se vê é uma estrutura em concreto. Atrás vemos o Posto de Saúde. Vila Progresso está melhor estruturada em relação as outras comunidades, porém, precisa ainda de muitos melhoramentos na infraestrutura (há carência de profissionais da área médica no Posto de Saúde).
Registro da coleta de lixo na vila. O material é estocado e, periodicamente, uma embarcação de Macapá faz a coleta. Com a situação crítica da coleta de lixo em Macapá, a comunidade teve também suas dificuldades e transtornos com o acúmulo. Esse é um dos problemas também na infraestrutura.
Na imagem vemos uma das escolas do Bailique (Vila Progresso).
A seguir: Imagens da Escola Bosque.
A Escola Bosque foi inaugurada em 1998 devido a demanda no Ensino Médio, diminuindo os índices de migração à Macapá, para onde as famílias se deslocavam a fim de dar continuidade aos estudos dos filhos. (Informação da publicação "Bailique", da CAACES - 2000).
Em 1994 o Bailique contava com apenas 14 escolas funcionando. A região tem hoje mais de 20, a maioria ofertando o Ensino Fundamental.
Foi erguida com a participação da comunidade através do Conselho Comunitário do Bailique que também aproveitou mão de obra local na construção, toda erguida com material disponível no arquipélago (Informação de tvcultura.com.br).
Seu projeto pedagógico foi concebido pelo educador Mariano Klautau e o projeto arquitetônico é de sua mulher, Dula Lima, levando em conta a concepção espacial das aldeias waiãpi (Informação de tvcultura.com.br).
 
Tela: Kuarup XLIII - Escola Bosque - Bailique (Olivar Cunha) 
Conheça mais a obra e o autor em olivarcunhaarte.blogspot.com.br

O nome Bosque deve-se ao fato da Escola estar construída em meio a uma área verde, onde o professor pode realizar suas atividades docentes aproveitando a riqueza natural como recurso didático. (Informação de escolabosquebailique.blogspot.com).
A Escola tem como suporte principal a Educação Ambiental pela qual direciona todo seu trabalho pedagógico (Informação de escolabosquebailique.blogspot.com).
Poderia se completar a frase final da placa com: 
A Educação Ambiental nos ensina como usar e preservar.
Todos os módulos são em estilo circular, construídos com madeira da região e com um espaço central aberto com área verde...
 ...facilitando a ventilação e iluminação.
Entre 03 a 10/12/2012 houve uma ação ambiental com participação da SEMA, Instituto Estadual de Florestas (IEF) e Batalhão Ambiental. Evento necessário para sensibilizar os alunos e os moradores sobre a importância de se preservar o meio ambiente em que vivem. É importante ressaltar que no Arquipélago do Bailique encontramos a Reserva Biológica do Parazinho, onde há desova de tartarugas (Informação: diariodoamapa.com.br)
Ação de educadores ambientais da SEMA no auditório da Escola Bosque 
(Marta e Alana)
 
 Exposição de material educativo da Biblioteca Ambiental da SEMA-AP.
Nelsiana Duarte (Responsável pela Biblioteca Ambiental da SEMA-AP) e Rosa Dalva (Gerente da Biblioteca Ambiental da SEMA-AP). São também as autoras da maioria das fotos aqui apresentadas.
 
Há um projeto em tramitação para implantação de uma Biblioteca Ambiental na Escola Bosque. A educação ambiental é um dos processos fundamentais para o desenvolvimento de nossa sociedade.
Esta é a atual Biblioteca Escolar

O projeto desenvolvido pela SEMA objetiva a implementação e enriquecimento do acervo com obras sobre o meio ambiente, dando ênfase à educação embiental, ao consumo e desenvolvimento sustentado, as unidades de conservação, à pesca, à legislação ambiental, às comunidades tradicionais, aos recursos hídricos, ao aquecimento global, à questão das queimadas e desmatamento  e outros assuntos relacionados.  
Os materiais são disponibilizados na forma de publicações e vídeos. A maioria das publicações que encontramos são livros didáticos. O acervo ambiental a ser incorporado é composto também por livros técnicos, fundamentais para a pesquisa ambiental. É um projeto que, se aprovado, tem o aval da SEMA/GEA (Governo do Estado do Amapá).

Foto: Lorem Freitas Ribeiro (Buritizeiro, Acervo da Biblioteca SEMA)
A CHAMA DOS BURITIS
(Deusa Ilário)
 
O sol me chama a caminhar
para apreciar os buritis que começam a cair
A sombra me convida a sentar
Como sou passageira do tempo
me ponho a contemplar a poesia do dia,
na leveza da maresia dessa lagoa bonita.
Venho do mundo da saudade
com os pássaros a cantar
e este silêncio só me faz divagar
Fujo de mim, transcendo os fios da paisagem
O amor chega a mim pelo cheiro do buriti
e pelo encanto que provocas em mim.
Eu seguro nas mãos o tempo
Eu faço do meu olhar os olhos do rio
sinto medo e frio,
mas tropeço nos buritis que continuam a cair.
Meu pranto faz a lagoa transbordar,
o socó para a outra margem voar
A lagoa, logo, vira mar
E eu viro uma espuma
que vagueia, planta e se encanta
com a beleza dos buritis
que se fazem lagoa, praça e saudade.
Poesia de Deusa Ilário no livro “Retalhos e Linhas”.
As mesmas coisas que falei do outro livro se aplicam a este também. Conheça a autora em escritoresap.blogspot.com e AQUI.
 
Mais imagens da Escola Bosque.
 
 
 
Bailique lembra um pouco a cidade de Afuá no Pará, com todas aquelas passarelas.
Vila Progresso (Foto: Greenpeace/Nathália Clark)
 Não é verdade?
Horta cultivada na Escola Bosque.
Como em todas as vilas ribeirinhas na Amazônia quando alguém ficava doente o tratamento era a base plantas medicinais e remédios caseiros.  
Crianças da Vila Progresso (Bailique).
A garotada no campinho, nas adjacências da escola. Se tu não sabes, tudo isso aí será alagado em determinada época do ano, incluindo a área das construções (módulos) da Escola Bosque. Por isso vemos as edificações sempre em estilo palafita.
Foto: Ilana B. Dantas / 2010
É disso que estou falando. Imagem originalmente postada em
Aí está a alternativa construída: o Malocão de Educação Física.
Essa é um hotel construído para atender o turismo, nunca foi usado e hoje está em abandono e deterioração de sua estrutura.
Deixemos o Bailique e seu bailado de águas e pássaros.

Essa postagem é um estudo simples, baseado em relatos e, principalmente, em fontes consultadas na net (todas com os devidos créditos). Fica aqui um agradecimento à Rosa Dalva e Nelsiana (da Biblioteca SEMA) que cederam as fotos (exceto as que aparecem com crédito embaixo). Pode aparecer algum erro referencial (ou muitos), pois nunca estive no Bailique. 
Imagino um mundo de coisas interessantes para se descobrir. Se eu tiver a oportunidade, vou querer ter impressões sobre a extensão das cheias na vila, a rotina, sobre a proximidade da população com a fauna silvestre (imagino muitos causos e lendas),  as necessidades mais urgentes na infraestrutura, as aspirações da juventude, os pontos de lazer, etc.

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